Campinas I /SP: (19) 3236-7915
Campinas II /SP: (19) 3235-3130
Bauru /SP: (14) 3232-4674
Santos /SP: (13) 3224-5886
Araçatuba /SP: (18) 3624-2194
Presidente Prudente /SP: (18) 3222-0034
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que cerca de 2,5% da população brasileira, isto é, cerca de 4,5 milhões de pessoas, apresentam algum grau de deficiência auditiva.
Dentre os diversos agravos à saúde coletiva da vida moderna, o ruído, também conhecido como poluição sonora, tem impacto cada vez maior na qualidade de vida das pessoas.
Por mais paradoxal que possa parecer, esta forma de poluição pode, muitas vezes, ser silenciosa, isto é, passar despercebida durante alguns anos, até que os efeitos da exposição freqüente aos ruídos possam repercutir em nossa vida social.
Os níveis de pressão sonora são quantificados em decibéis (dB) e qualificados em hertz (Hz). Pessoas com audição normal, em ambiente não ruidoso, são capazes de conversar, compreender e apreciar uma boa música ou programa, entre 20 e 60 dB. Estes tipos de som estão entre as faixas de 500 e 6000 Hz. Níveis de pressão sonora acima de 90 dB são considerados lesivos ao nosso órgão funcional da audição: o labirinto.
Dentre os exemplos de situações freqüentes a que nos expomos a ruído excessivo, estão: uso de telefones e geradores portáteis de som, rua movimentada, creche ou sala de aula barulhenta, obra, discotecas, bares, shoppings, cinema, arrancada e buzina de veículos, apito de microondas, jogo de futebol. Há, portanto, profissões, como operadores de telemarketing, motoristas, garçons, trabalhadores da construção civil, mecânicos e professores que apresentam, em virtude da exposição ocupacional ao ruído, ainda mais risco para surdez.
Os cuidados com a saúde auditiva se iniciam na gestação. Uma boa assistência pré-natal reduz as chances de pré-maturidade e complicações durante o parto, fatores que levam à surdez neonatal. Este diagnóstico, por sua vez, deve ser feito nas primeiras semanas de vida do bebê, o que aumenta as chances de sucesso com o tratamento precoce. O “teste da orelinha”, é amplamente difundido e plenamente justificável, pela alta incidência da doença, que gira em torno de 1 em cada 1.000 nascidos vivos (só para se ter uma idéia, o “teste do pezinho”, visa a detecção de doenças como fenilcetonúria e hipotireoidismo, que têm incidência de 1 em cada 10.000 nascidos vivos).
Não obstante, a principal causa de mau rendimento escolar na fase de alfabetização, é a deficiência auditiva secundária a otite catarral. Muito comum, e associada ao aumento exagerado das amígdalas e adenóides, leva algumas escolas a recorrerem à avaliação otorrinolaringológica como pré-requisito para a matrícula.
Na terceira idade, o processo de envelhecimento das células auditivas é responsável pela forma mais comum de surdez: a presbiacusia. A deficiência auditiva do idoso, incompreendida e confundida com demência por amigos e familiares, leva estes pacientes à chacota, agravando o quadro com depressão e afastamento do convívio social.
Mas, se perguntado sobre qual sentido você acha o mais importante: a visão ou a audição? E, portanto, qual a deficiência mais o afligiria? A cegueira ou a surdez?
É claro que, num primeiro momento, nos parece que a cegueira constitui uma privação maior que a surdez. Sendo, a visão, algo mais essencial do que a audição.
Mas o deficiente auditivo e a sua deficiência são vitimados pela falta de informação e pelo preconceito de uma forma como poucos outros portadores de necessidades especiais ainda o são. Vejamos alguns exemplos.
Se um portador de deficiência visual, com óculos escuros e bengala, pedir para que o auxilie em uma travessia, qual é a sua reação? E a sua sensação? Sim, todos ajudam e, feita a “boa ação”, a sensação é de total leveza e cumprimento do dever. Mas, e se um deficiente auditivo, com aquele discreto, porém visível aparelhinho nas orelhas, com dificuldades na fala, o abordar em via pública? Como você reagiria?
E quanto à indicação de prótese auditiva? Ela é tão aceita quanto à indicação de óculos, que nada mais são do que próteses visuais? Enquanto estes há muito deixaram de ser estigma de fragilidade, e hoje conferem aos seus portadores até um certo status de inteligência, os aparelhos auditivos de última geração, cada vez menores e mais discretos, seguem com a sua demanda reprimida pelo preconceito.
A surdez desumaniza o indivíduo. Não escutar, não nos priva apenas de receber informações audíveis, mas nos tira a forma mais sublime de expressão: a fala, a capacidade de comunicação verbal, que nos diferencia e personaliza como seres humanos.
O Dr. Gustavo Guagliardi Pacheco é médico otorrinolaringologista pela Associação Médica Brasileira e pelo Ministério da Educação. É membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e de outras entidades nacionais e internacionais como o Instituto García y Ibañez, da Espanha. Possui vários trabalhos publicados, alguns deles premiados. Exerce função docente-assistencial como preceptor da residência médica do Hospital da Lagoa e faz parte do Conselho de Acreditação do Ministério da Saúde. Integra a equipe médica de ONGs e fundações como consultor honorário de Cirurgia em Otorrinolaringologia, além de prestar serviços a comunidade em rádio, tv e jornal.